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O Cultivo das Árvores de Natal

Existem várias atitudes em relação ao Natal, Algumas das que podemos desconsiderar: O social, o entorpecido, o patentemente comercial, O turbulento (os pubs abertos até à meia-noite), E o infantil – que não é o da criança Para quem a vela é uma estrela e o anjo dourado Abrindo as suas asas no topo da árvore Não é apenas uma decoração, mas um anjo. A criança encanta-se diante da Árvore de Natal: Deixem-na continuar com o espírito de admiração Na Festa como acontecimento não aceite mas como pretexto; Para que o êxtase brilhante, o espanto Da primeira Árvore de Natal lembrada, Para que se deliciem com as surpresas, com as novas posses (Cada uma com o seu cheiro peculiar e excitante), A expectativa do ganso ou do peru E o esperado espanto em sua aparência, Para que a reverência e a alegria Não possam ser esquecidas em futuras vivências, Na hábito entediado, da fadiga, do tédio, A consciência da morte, a consciência do fracasso, Ou na piedade do con...

Secção 1: O FUNERAL DOS MORTOS

Nam Sibyllam quidem Cumis ego ipse oculis meis vidi in ampulla pendere, et cum illi pueri dicerent: Sibylla ti theleis; respondebat illa: apothanein thelo. I. O FUNERAL DOS MORTOS Abril é o mês mais cruel, gerando Lilases em terra morta, fundindo  Memória e desejo, vibrando raízes  De tédio na chuva primaveril. O inverno abrigou-nos quentes, cobrindo A terra por neve esquecida, alimentando Com secos tubérculos um pouco de vida. O verão surpreendeu-nos, caindo sobre o Starnbergersee Com um aguaceiro; parámos na colunata, E continuámos à luz do sol, para o Hofgarten, E bebemos café e conversámos uma hora. Bin gar keine Russin, stamm" aus Litauen, echt deutsch. E quando éramos crianças, em casa do arquiduque, Meu primo, levou-me a passear de trenó, E eu tive medo. Disse-me, Marie, Marie, segura-te firme. E deslizámos abaixo. Por essas montanhas, onde te sentes livre. Leio, quase toda a noite, e parto para o sul no inverno. Que raízes são essas que se agarram, que ramos crescem Fo...

Secção 2: UMA PARTIDA DE XADREZ

 II. UMA PARTIDA DE XADREZ A Cadeira onde se sentava, como um resplandecente trono Brilhava na mármore, onde o espelho  Apoiado em colunas trabalhadas como  exuberantes vinhas De onde um Cupido dourado espreitava (Outro escondia os olhos com a asa) Duplicava as  chamas de um candelabro de sete braços Reflectindo a luz sobre a mesa como se O brilho das jóias rosáceas se lhes juntasse, Vindo das caixas de cetim derramado em rica abundância; Em frascos de marfim e vidro colorido Abertos, espreitavam estranhos perfumes sintéticos, Unguentos, em pó ou líquido, - perturbantes, confusos E afogou os sentidos em odores; agitados pelo ar Que soprava da janela, estes ascenderam Alongando as demoradas chamas das velas, Na laquearia l ançaram o seu fumo Agitando o padrão caixotado no tecto. Uma larga madeira marinha nutrida por cobre Verde e laranja, emoldurado por uma pedra colorida, Em que à pálida luz um golfinho esculpido nadava. Acima da antiga cornija foi exibida Como se um...

Secção 3: O SERMÃO DO FOGO

 III.  O SERMÃO DO FOGO O dossel do rio quebrou-se: os últimos dedos das folhas Prenderam e afundaram-se no banco molhado. O vento Inaudível atravessa a terra castanha. As ninfas partiram Doce Tamisa, corre suave, até que minha música termine. O rio não tem garrafas vazias, papéis de sanduíche, Lenços de seda, caixas de cartolina, beatas de cigarro Ou outro testemunho de noites de verão.  As ninfas              partiram E os seus amigos, os herdeiros vagabundos dos presidentes de câmara da cidade;  Partiram, sem deixar o endereço das moradas. Junto às águas de Leman sentei-me e chorei... Doce Tamisa, corre suave até que minha música termine, Doce Tamisa, corre suave, pois não falo alto nem longamente. Mas nas minhas costas em fria explosão Os meus sentidos ouvem O gargalhar dos ossos e o riso espalhar-se de ouvido em ouvido. Um rato rastejou suavemente na vegetação Arrastando a sua barriga viscosa pela marge...

Secção 4: MORTE POR ÁGUA

 IV.  MORTE POR ÁGUA Flebas, o Fenício, morto há quinze dias, Esqueceu o grito das gaivotas,  e as ondas do mar fundo E os lucros e as perdas.                                                Uma torrente sob o mar Em sussurro descarnou os seus ossos. Enquanto pelas ondas subia e descia  Visitou as idades da sua juventude e velhice  Penetrando na voragem da água.                                                            Gentio ou Judeu Ó tu que volves a roda e a barlavento olhas, Pensa em Flebas, que alto e belo como tu já foi. The Waste Land by T.(homas) S.(tearns) Eliot © 2000 The Pennsylvania State University Versão Portuguesa  © Luísa Vinuesa 

Secção 5: O QUE DISSE O TROVÃO

  V. O QUE  DISSE O TROVÃO Após a luz de rúbeas tochas em faces suadas Após o silêncio gélido nos jardins Após a agonia em lugares pedrosos O alarido e o choro Prisão e lugar e reverberação Do trovão da primavera sobre distantes montanhas Aquele que estava vivo jaz agora morto Nós que estávamos vivos agora agonizamos Com um pouco de paciência Aqui não há água, mas apenas rocha Rocha e sem água e a estrada de areia A estrada sinuosa acima entre montanhas Que são montanhas de rocha sem água Se houvesse água, deveríamos parar e beber Entre a rocha não se pode parar ou pensar O suor está seco e os pés sob a areia Se houvesse apenas água entre rochas Boca de montanha de cariados dentes que não pode cuspir Aqui não se pode ficar nem deitar nem sentar Não há qualquer silêncio nas montanhas Mas um trovão estéril e seco sem chuva Não há qualquer solidão nas montanhas Mas escarlates faces sisudas zombam e rosnam De portas de casas enlameadas             ...

Porque não espero mudar de novo

I Porque não espero mudar de novo Porque não espero Porque não espero mudar Desejando o dom deste homem e a liberdade desse outro Já não me esforço para lutar por tais coisas (Porque a velha águia deveria abrir as suas asas?) Por que deveria lamentar O poder dissipado do reino habitual? Porque não espero conhecer de novo A glória enferma da hora positiva Porque não penso Porque sei que não conhecerei O único verdadeiro poder transitório Porque não posso beber Aí, onde as árvores florescem e brotam: Como, porque aí        nada há de novo Porque sei que o tempo é sempre tempo E o lugar é sempre e único lugar E o real é apenas real uma só vez  E apenas real para um lugar   Alegro-me porque as coisas são como são e renuncio ao rosto abençoado E renuncio à voz Porque não posso esperar mudar de novo Assim, alegro-me por ter que construir algo Sobre o qual se alegrar E rezar a Deus para ter misericórdia de nós E rezo para que possa ...